O pincel de Vlad constrói imagens heroicas, registradas em preto e branco. Mundos impensáveis de rastros, de caminhos, que, após longos períodos, chegam ao seu termo.

 A busca de Vlad não é pela coerência dentro do absurdo de uma pintura enlouquecida. Pincelada após pincelada em camadas, cria uma visualidade misteriosa, que instiga a aproximação do espectador, a vontade do toque.

 O nonsense no trabalho de Vlad nos remete a toda uma tradição do absurdo na arte e no pensamento, de Bosch a Antonin Artaud e Max Ernst. Situações inusitadas que surpreendem e exigem algo do espectador, que pedem algo em troca, uma reflexão sobre o livre arbítrio, sobre a compatibilidade lógica entre a linguagem e o mundo das imagens.

 O trabalho de Vlad remete a uma forca que destila mistério, a pincelada que não descansa, que transforma imagens outrora frescas em massas de significado, em mundos hesitantes. O nonsense aqui se mostra e se esconde no preto e nas cores que ele revela, na construção desse mundo que se afirma e hipnotiza, na imensidão e na profundidade de uma obra de opostos, de forcas em permanente luta.

                                                                                                        

                                                                                                      Maria Rosa Nascimento Silva

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